segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Saudades de Você
Nunca pensei,
Nunca sonhei,
Nem imaginei,
Que sentiria a tua falta.
É como se você levasse
Em sua bagagem de mão,
Parte de meu coração.
Eu sei, você vai voltar,
Talvez me procurar,
E contar as novidades,
Mas saudades,
Caro amigo,
Não sei controlar.
Saudades de você,
Saudades de crescer,
E ainda ser criança.
Mas a saudade dói,
E não machuca.
Você,
que fez parte da minha infância,
Não é só uma lembrança,
É real.
Você, caro amigo,
Estará sempre comigo,
Dentro do meu coração.
(Grazielle Santos Silva)
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Gente de Shopping
“Gente de Shopping às vezes é irritante.” Isso foi uma conclusão que me veio ontem quando tive que ir a um dos shoppings da cidade. Fui às compras de Natal. Comecei logo cedo porque em dezembro tudo fica uma loucura (e ninguém merece aquele marzão de pessoas desesperadas por produtos que estão em falta na prateleira). Deixei um momento raro de descanso pra ver algumas coisas aqui no Jardins.
Meu objetivo: visitar as lojas de departamentos. Quem mora aqui sabe que dessas lojas, a Riachuelo é a que fica relativamente mais distante das outras. E não foi por essa que achei de começar? Daí foi preciso atravessar o shopping inteiro para cumprir minha missão. Comecei andando sozinha até que ganhei a companhia de olhares críticos dos visitantes daquele lugar.
Pois bem, a primeira mirada não me incomodou tanto, mas a partir da décima ou décima primeira comecei a ficar preocupada. “Será que tem alguma coisa errada comigo? Zíper aberto? Mancha em algum lugar não visível aos meus olhos?” Fui ao banheiro certificar-me de que estava tudo certo. Os olhares insistiam e a maioria deles estava direcionada, mais especificamente, aos meus pés. Eu calçava de uma rasteirinha vermelha e charmosa. “Gente, rasteirinha tá na moda. Alguém precisa avisar a esse povo.” Mas o que me deixou mais intrigada foi que eu nem uso rasteirinhas. Elas evidenciam minha altura e acentuam meus pés de pato (não são tão feios assim, mas são magrinhos... precisam de um salto pra ganhar charme). Só resolvi usá-las naquele dia para deixar meus pés descansados (e ninguém tem nada haver com isso).
A questão é que quando uso meus saltos enormes pra ir ao mesmo lugar o povo me olha do mesmo jeito e na mesma direção. Ou sou muito bonita, ou sou muito bizarra, ou estão esse povo tem problemas. Eu fico com a última opção. Daí fiz uma resolução para o fim do ano: Me manterei afastada de shoppings (ou pelo menos deste). Tão cedo não retorno! Povo chato assim só me dá dor de cabeça. Voltei para casa de mãos cheias e com a cabeça latejando. Esse povo de shopping me dá nos nervos!
(Grazielle Santos Silva)
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
A alguém do passado
Nota pré-textual: É cada coisa que acontece com a gente. rsrsrs Pelo menos rende alguns desabafos interessantes.
O que aconteceu com a gente?
Por que esse ar prepotente?
Pra quê esse gesto, esse olhar?
Me apaixonei por você.
Não foi minha culpa,
Foi sem querer,
Mas o beijo que você me deu,
Me deixou confusa,
Me enlouqueceu.
Aí você mudou.
Esqueceu tudo,
Me esnobou.
(me deu um beijo,
e disse adeus)
Aí eu descobri:
Eu não estava em seu coração,
Eu havia sido enganada,
Você tinha uma namorada.
Aí chorei,
Aí sofri,
Lembrei do beijo,
Lembrei de tudo,
Lembrei também,
Que sou pequena,
E de grande coração.
Descobri que não vale a pena,
Chorar assim sem razão.
Então fechei os olhos e sorri,
E finalmente te esqueci.
(Grazielle Santos Silva)
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Poesia a alguém que amei
Ah! E desculpa àqueles que estão cansados de me ler escrevendo sobre sentimentos, mas é que eles estão à flor da pele... sempre.
Se pudesse voltar no tempo,
Não mudaria um segundo,
Apenas aproveitaria cada momento,
Como se fosse único.
Prestaria mais atenção em ti,
E aproveitaria cada instante,
Que nos falávamos sem falar,
E apenas pelo olhar,
Conversávamos nos corredores,
Ou no meio da multidão.
Não mudaria nem mesmo a verdade.
Nem mesmo o fato de você não me querer eu trocaria,
Porque nada acontece por acaso.
Seus olhos azuis e seus cabelos dourados,
Ensinaram-me uma lição,
Que ainda não aprendi,
Mas que certamente entenderei no futuro,
E serei grata enfim...
(Grazielle Santos Silva)
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Era uma vez uma História
Era uma vez uma História. Pequena e tímida, ela morava na cabeça de uma menina muito inteligente. A História era bem legal, mas ela tinha vergonha de aparecer. Aí ficava escondida. Toda vez que a menina tentava lembrar da História ela sumia, e a menina esquecia. Um dia a menina estava de bobeira e História achou que não teria problema se saísse pra passear um pouquinho. Foi batata! Assim que a História saiu, a menina lembrou e escreveu num papel. Agora nunca mais ia esquecer. Primeiro a História estranhou sua nova morada. Todo mundo podia olhar pra ela! Ficou com muita vergonha...
Mas aí ela percebeu que todo mundo que a lia achava graça. Porque a História não era igual às outras. Não tinha dragão, nem bruxa, nem sapo, nem princesa e muito menos um príncipe. Tinha garotas, garotos, amores, fracassos, sorrisos e lágrimas. E isso todo mundo conhece, não é verdade? Todo mundo vê isso o dia inteiro! E aí a História ficou exibida. Cada vez que alguém lia e contava a História, ela ficava maior e maior e maior. Até que um dia ela ficou tão grande, mas tão grande... Que acabou virando realidade!
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Um dia com final colorido
Terminada a aula, sem ter mais o que fazer ali, tomei o caminho de casa. Segui a mesma rota de sempre: fila do terminal, ônibus lotado, terminal da rodoviária, outro ônibus lotado e enfim lar doce lar. Geralmente acho graça em seguir esse caminho, porque me perco na conversa dos outros, me farto de risos e vez ou outra encontro alguns olhares interessantes.
Mas hoje eu não prestei atenção em nada disso. Sabe aqueles dias que você realmente não tem ânimo pra nada? Eu estava desse jeito. Vim perdida pensando em insignificâncias até que me deparei com um garoto lindo cheio de livros sentado em algum lugar no meu campo de visão. Nem olhei muito – “Lindo desse jeito não vai nem perceber minha existência” – concluí. E não percebeu mesmo não. Sentei ao seu lado – porque foi o único lugar vago – e ele continuou sua leitura compenetrado.
Abri a agenda, olhei qualquer coisa, e tudo seguia normalmente até que o motorista, sabe-se lá porque, parou o ônibus e começou a conversar. “Ele parou pra conversar?” indaguei em voz alta (simultaneamente ao menino do lado). A gente riu da coincidência e naquele momento ele percebeu que eu existia. Começamos um diálogo um tanto intrigante. Já viram casos de “transmimento de pensação”? Pois é, foi algo assim. Ele falava o que eu pensava, eu falava o que lhe vinha à mente, e o papo estava tão interessante que ele quase perdeu o ponto. (A gente nem deu conta que o ônibus tinha voltado a andar). Ele deu sinal e desceu. Um ponto antes que eu. Saiu rindo e me deixou rindo. E eu nem sei seu nome ou onde mora, mas ele me deu um presente lindo: um riso bobo que veio colorir meu dia.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
E viveram felizes para sempre
Ele dizia que ela era linda. Ela não dava confiança. Ele dizia que ela era inteligente. Ela achava um exagero. Ele dizia que sentia sua falta quando ela sumia. Ela achava aquilo estranho. Ele dizia que ela era diferente das outras. Ela ficava com o pé atrás.
Anos se passaram e ele dizendo as mesmas coisas. Aí um dia eles saíram juntos, passearam juntos, riram juntos, beijaram juntos, tudo juntos. E aí a história mudou.
Ela ligava pra ele. Ele não atendia. Ela falava com ele. Ele não ouvia. Ela perguntava para ele. Ele não respondia. Aí ela se cansou dele e resolveu ficar sozinha. Ele se cansou dela e arranjou outra para colocar em seu lugar. E viveram felizes para sempre cada um para o seu canto.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Você
Persegue meu pensamento
E tudo que sinto e vejo
De repente, é você.
Sua voz ficou gravada
Em meu subconsciente,
E sem que eu perceba,
Ouço-te lentamente
Chamando meu nome.
Seus braços,
Meu recanto,
Serviam-me de acalanto
E agora são só lembrança...
Seus olhos.
Ah! Que olhos!
Nem consigo descrever.
Só me fazem lembrar o quanto,
Sinto falta de você...
(Grazielle Santos Silva)
Nota pós-textual: Texto antigo. Bons tempos que não voltam mais.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Baile de máscaras
Um enorme baile de máscaras.E ninguém tem medo de ser o que é.
Vestidos do que são realmente,
libertam seus desejos,
degustam seus anseios
sem pensar em amanhã.
Porque amanhã é outro dia.
E eles voltam a suas rotinas
vestidos daquilo que o mundo quer que eles sejam.
(Grazielle Santos Silva)