segunda-feira, 25 de março de 2013

Confusão em Minha Alma

Texto de 28 de fevereiro de 2008

Minha Alma tinha virado um abrigo de Angústias. Primeiro surgiu uma só, bem pequenininha. Mas ela foi crescendo, crescendo, até que ficou enorme e começou a se multiplicar. Umas poucas acharam aquilo tudo muito apertado e foram embora. Outras novas, gostando do fuzuê, foram chegando de longe e se instalando por ali mesmo. E Minha Alma foi ficando superpovoada de Angústias de todos os tipos, de todas as idades, de todos os tamanhos, de várias gerações.

E esses moradores, que não paravam de chegar, foram ficando inoportunos. Eles faziam muito barulho, tomavam muito espaço, não respeitavam ninguém. Nem era possível notar que ali também havia outros habitantes. O Amor teve medo e se escondeu. A Alegria, que antes andava por toda parte, passava o dia inteiro fora procurando outro lugar para morar. A Amizade se trancou e não queria ver ninguém. A Paixão sumiu. Ninguém sabia dela. Só a Raiva e a Tristeza que, aproveitando a situação, juntaram-se às angústias e se deleitavam.

Eu não podia ficar ali parada. Então decidi tomar uma atitude drástica: Expulsei-as todas. Fui colocando para fora uma a uma. As pequenas, as grandes, as novas, as velhas. Não fiz distinção. Algumas não queriam ir embora de jeito nenhum. Elas se agarravam no coração de Minha Alma e não se moviam por mais que eu tentasse. Ah! Mas eu não desisti! Tanta força eu fiz, que as três foram jogadas para fora de uma vez só.
A Raiva e a Tristeza não gostaram nada dessa minha decisão. Vez ou outra uma Angústia aparecia para visitá-las mas eu não permitia que ficassem. Já pensou que confusão seria se tudo começasse de novo? Então as duas foram se sentindo sozinhas e foram embora também.

E a vida em Minha Alma voltou a sua rotina. O Amor, que estava escondido, apareceu. A Alegria desistiu se mudar e voltou a se espalhar por todos os lados. A Amizade abriu suas portas e janelas. A Paixão foi re-surgindo aos pouquinhos, meio cabreira e resolveu abrir suas possibilidades. Agora mesmo está aguardando alguém especial para se apaixonar. E eu também voltei a fazer tudo que fazia antes. Eu não me apresentei, não é? Muito prazer, eu sou a Razão.

(Grazielle Santos Silva)

5 comentários :

Anônimo disse...

Se a vida não é uma obra de arte, então, diga-me o que ela é?

Se falamos biologicamente, temos os constructos das células que se fazem presentes a cada segundo em nosso corpo. Se delimitamos a psiquê, encontramos os frenéticos impulsos nervosos e seus incansáveis neurotransmissores recebendo e enviando tudo que penso ou sinto, seja bom ou ruim. Tudo isso, guiado pela mão do inconsciente, esse pedreiro gente fina que utiliza as areias e o cimento sem peneirá-los antes.

Avancemos....

Se a vida não é uma obra de arte, então, diga-me o que ela é?

Se nos lançamos nas vicissitudes diárias, ao final do dia temos diversos quadros pintados alá Monet, Picasso..e por que não?
Imaginemos a cena do espelho e nós logo ao acordar, é um surrealismo.
Imaginemos a rotina sem sentido da nossa ida ao trabalho, é um capítulo de um livro.
Imaginemos o braço estendido sinalizando para o ônibus, é uma foto casual.
Imaginemos a nossa Angústia quando todos riem, é um Clarice Lispector.

Se a vida não é uma obra de arte, então, diga-me o que ela é?

cris santos disse...

Adorei isso! Nada pior do que vizinhos insuportaveis... essas angustias =/
Entram em nosso coração, não pagam nada, destroem td... e ainda assustam nossos melhores moradores.
A unica solução é manda-las mesmo embora, mas como da trabalho para expulsar...
Amei seu blog, sicero e belo^^
Beijjooss ;)

Thito disse...

A vida é sempre assim: uma onda senoidal muito incerta, com seus altos e baixos. E ela é interessante por isso mesmo. =D
Quanto a achar alguém especial... acho que a pessoa se torna especial. Então eu procuro alguém que queira se tornar especial.

Ana disse...

Muito bom texto... Muitas vezes sinto o mesmo que você. Mas a razão chega e nos traz paz e tranquilidade pra ver as coisas com um olhar menos desesperado. A vida nos ensina a ter paciência, ela é a mãe da razão... Faz sentido, né? rs
Beijo
Ana
www.mineirasuai.blogspot.com

SAMANTHA ABREU disse...

Puxa, Muito bom, Grazi!

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