quarta-feira, 14 de março de 2012

Contemporânea Démodé

poster do filme O Diabo Veste PradaÉ duro ser uma mulher contemporânea e não poder admitir as crises de “ninguém-me-ama-ninguem-me-quer-ninguem-me-chama-de-me-chama-de-meu-amor”. “A vida passa”, passam os amores, passa o tempo e, para manter a imagem de bem resolvida, é preciso levantar a bandeira de que uma boa companhia não faz falta. Acho que nasci no século errado. Ou ao menos não estou tão bem resolvida assim. Faz-me falta um olhar perdido em mim. E me perder em outro me parece tão essencial quanto uma carreira de sucesso ou a tão procurada independência financeira. Queria poder esquecer os problemas por cinco minutos em um “telefonema-só-para-ouvir-a-sua-voz” ou talvez lembrá-los todos em um “desabafo-entre-carinhos”. Ouvir segredos, anseios e até mesmo as queixas de alguém levantaria muito mais minha auto-estima do que um mero elogio depois de horas no salão. Porque não há elogio maior do que ter a confiança de quem se quer bem. Arranjar forças no fim do dia, depois de tanto trabalho e estudo, só para ver a pessoa amada, nem que seja por meia hora, soa-me muito mais corajoso do que a vida solitária que construímos em nome dos novos tempos. Se a nova moda é estar só na multidão, ter o mundo e não ter ninguém, então sou completamente démodé. E não tenho vergonha disso.

(Grazielle Santos Silva)

* Pôster japonês do filme "O Diabo veste Prada".

5 comentários :

Felipe Vieira disse...

Ôh vida contemporânea...

Ana Leticia disse...

Nossa, eu também sou completamente fora de moda então... Dou muito mais valor pro coração, amor, etc, que pra coisas materiais. Dinheiro ajuda em algumas coisas, mas definitivamente prefiro viver de amor...
De uma certa forma, conectou bem com o texto do blog que publiquei ontem, né? Sempre queremos ser "arrebatadas". rs
bjs
Ana Letícia
www.mineirasuai.blogspot.com

Thami disse...

"Diga o que disserem
o mal do século é a solidão
cada um de nós imerso
em sua própria arrogância
esperando por um pouco de atenção"

Já cantava Renato Russo!
De uma forma esquisita, a negação dessa carência é bem mais triste do que a exposição exagerada...
Ou, vai ver, é um tempo em que todo mundo é meio incompleto e essa falta já esteja implícita.
Mas é meio triste pensar assim.

("Por que será que me identifico com esse texto?" [2])
beijo!

Vinicius disse...

Esse mundo contemporâneo rsrsrs
esse filme Diabo veste prada é mto bom

Thito disse...

Tô contigo e não abro.
Nasci em outro momento da humanidade. Prezo mais pela qualidade que pela quantidade das relações.

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