segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Eu cresci

O espelho não me ajuda mais a descobrir quem sou. Meus quereres mudaram assim como minhas mãos e o meu modo de ver a vida. O mundo está cada vez mais claro a minha frente, como se eu tivesse acabado de colocar óculos novos. O céu não é mais cor de rosa e nem tem sabor de chocolate. E até importante estou ficando já que tudo que faço tem que ter minha assinatura (e eu escrevo meu nome naquela linha que diz “responsável”... dá pra acreditar?). As decisões aparecem a todo o momento e eu tenho que tomá-las sem a ajuda dos meus pais. Isso às vezes me dá um medo tão grande. Queria ficar pequenininha de novo e correr pro colo da minha mãe (como fazia toda vez que eu sonhava com o bicho-papão). Mas faz parte, né?! O tempo não para e eu cresci! E como doem as dores do crescimento.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Começo de Namoro


Faz tempo que não começo um namoro. E pelo andar da carruagem vou ficar um bom tempo sem começar um – mas isso não vem ao caso. A questão é que eu nem me lembrava como era o processo. Pois bem! Eis que estava eu, distraída, a caminho do shopping num ônibus lotado, quando para em minha frente um casal. Sabe aqueles adolescentes barulhentos que acham que só eles existem no universo? Então. Eram dois desses. E como eles realmente são barulhentos é impossível não prestar atenção no teor da conversa. (Gente! Eu sei que é feio ouvir a conversa dos outros, mas vou fazer o quê?).

Os assuntos eram os mais absurdos possíveis. Coisas sem pé nem cabeça. Típico de começo de relacionamento. E não importava o tamanho da abobrinha que o garoto falava sua namoradinha achava graça. Os olhos dos dois até brilhavam. Incrível! Não sei exatamente quando nem porque, mas eles começaram a discutir qualquer coisa sobre baratas. Vê se pode? Que a barata isso, a barata aquilo, que a barata nunca vai morrer. A menina achava o máximo! Nesse momento eu já não conseguia olhar pra eles sem ter uma crise de risos. Aí me pus a observar a paisagem. Veio-me então a lembrança de todos os meus namorados. Céus! Eu já passei por isso. Já passei por essa fase de abobalhamento total que é o começo de um namoro. E é tão gostoso! Deu uma saudade de passar por isso tudo de novo, sabe?

Fim da linha. Meu ponto chegou. Não ouvi o final da conversa. Mas tenho certeza que era qualquer coisa sem noção que depois nem eles mesmo iriam lembrar. Afinal o que importa é que eles estavam juntos.

(Grazielle Santos Silva)

sábado, 26 de janeiro de 2008

Resistindo ao mantra

Nota pré-textual: Voltei de viagem mais romântica do que o normal (se é que isso é possível) mas parece não os leitores não estão gostando muito. Fui ao shopping pagar umas contas e aproveitei pra andar a toa, assistir a um filme e buscar novas inspirações... Espero que o texto a seguir seja mais agradável que os outros...
As roupas das vitrines falam com a gente. É sério! Eu não estou ficando louca. Roupas, sapatos e acessórios proferem um canto hipnotizante tais como o das sereias que encantavam tripulações inteiras. Pois é, e parece que a coisa piora quando você está decidida a não gastar. Incrível! Perdi as contas de quantos vestidos estavam em exposição nas lojas com o meu número (o que é quase impossível porque visto qualquer numeração intermediária entre 34 e 36 – se é que isso existe) e todos estavam em promoção. Os sapatos pareciam mais bonitos que no mês passado (quando eu estava pronta a comprá-los). As bolsas, em liquidação, jogavam charme e exuberância e repetiam como um mantra “Me leva pra casa”. Quase entrei em três lojas, mas consegui ser mais forte. Liguei desesperada para minha mãe ir me buscar. Cheguei em casa e coloquei meu único cartão de crédito de castigo. Ele só sai da gaveta em maio que é quando terminam todas as prestações das compras de fim de ano. Nesse meio tempo vou manter uma distância mínima de 10 metros de qualquer loja ou vitrine que possa me desviar para o mau caminho. No mais é rezar para aparecer uma graninha extra. Aí poderei voltar a me presentear.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Carolina Feliz da Silva

Chuva é chata. Atrapalha planos, estradas, brinquedos, não nos deixa sair de casa e às vezes trás um frio danado. Lá estava eu em mais um dia qualquer, o “céu caindo” e as palavras cruzadas ocupando a minha cabeça, quando entra Carol, feliz da silva, encharcada e suja de lama. Perguntei à garota de onde ela vinha. Certamente estava a caminho de casa quando o pé d’água a pegou desprevenida. Mas qual foi minha surpresa quando ela disse “Fui ali brincar com as meninas”. “Na chuva?!” indaguei “Você pode pegar uma pneumonia!” Só que Carolina deveria ter Feliz da Silva como sobrenome. Sapeca, 14 anos, comecinho de vida, guarda um universo de sabedoria e me disse sem pensar duas vezes “Alegria não trás doença. Fui brincar, ri muito e estou de volta, quer coisa melhor?” Certamente não. Passei o resto do dia pensando em como crescer me tirou a espontaneidade e a leveza de ser eu. Há quanto tempo não brinco, danço ou beijo debaixo de uma chuva torrencial? Acho que farei isso da próxima vez que chover. Vou deixar a água me purificar e levar o peso dos anos embora.

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