domingo, 28 de junho de 2009

NÃO

O não é tão definitivo, tão taxativo, tão negativo que morro de medo dele. Negar, na maioria das vezes, parece covardia, receio de encarar os desafios de frente. Às vezes parece até maldade, falta de compaixão, mesquinharia. Mas quer saber? Tem horas que um não bem grande em negrito e caixa alta** é a melhor de todas as respostas: NÃO, eu NÃO vou mudar para te agradar, NÃO vou deixar de ser quem sou, NÃO vou negar de onde eu vim e NÃO vou admitir mais insultos. Porque tem horas que um NÃO pode ser a mais imponente afirmação.


(Grazielle Santos Silva)

* Pôster do filme "Sim, Senhor!" Preciso ver esse filme.

** caixa alta é uma terminologia usada no universo editorial que corresponde a letras maiúsculas

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sol de lá, Sol de cá...

Entre tantas diferenças sociais, culturais e climáticas a que mais me chama a atenção é o Sol de outono de Belo Horizonte. Estou acostumada ao Sol Sergipano que, exibido que só ele, aparece até mais do que deveria. Ele não quer nem saber se é outono ou inverno, o importante é estar em evidência. Já às 5 e pouquinho da manhã, levanta com uma felicidade absurda e brilha esplendido por inteiras 12 horas. E tem um fogo que só sentindo para entender.

O Sol de cá é, digamos, um Sol tímido, sem muita conversa. Levanta preguiçosamente lá pelas 6 e meia e se percebe algum admirador logo se esconde. Fica assim a manhã inteira. Às vezes ele deixa a timidez de lado e resolve dar o ar da graça. Aí abro a janela toda faceira esperando ele entrar e aquecer o frio de inverno antecipado. Mas qual nada: o Sol Mineiro é um Sol cenográfico, nascido para enfeitar. Brilha, ilumina, mas não esquenta nem um tiquinho...

(Grazielle Santos Silva)


* Poster do filme "O Império do Sol"

terça-feira, 2 de junho de 2009

Todo inverno deveria ter um amor

Todo inverno deveria ter um amor. Um aconchego, um sossego, uma cor. Uma alegria que desse graça aos dias cinzentos. Deveriam ser obrigatórios casais andando de mãos dadas, olhares cruzando-se nas ruas, flertes, beijos na boca, risadas soltas, abraços longos e infindáveis. Dias de inverno costumam ser tão sem graça... Entre uma soneca e outra bate uma nostalgia, uma carência, uma preguiça de estar sozinho. Deveria ser terminantemente proibido ficar sozinho nessa época. Inverno foi feito para ser curtido junto. Filme com pipoca, jantar a luz de velas, um lençol para dois, ficar acordado até tarde conversando bobagem. Tem coisa melhor que dividir chocolate quente em tempo frio? E até dia chuvoso tem um gosto especial quando não se está só. Dançar na chuva, brincar com a água que cai do céu, sentir o corpo purificado, e beijos, e abraços, fazem mais sentido quando tem alguém ao seu lado. Quando não se tem companhia no inverno, os dias parecem mais longos, tristes e frios. Mas no final sempre há de chegar a Primavera, enchendo o ar de perfume, colorindo o ambiente toda radiante. A estação mais sublime do ano. Tempero dos amantes. Esperança dos solitários.

(Grazielle Santos Silva)

Nota pós-textual: Repostagem motivada pelo frio europeu que está fazendo hoje em bh e pela ausência de alguém que faça desse inverno uma estação interessante ¬¬

*Poster do filme "Conto de Inverno". Não sou mega fã de filmes franceses, mas gostei da sinopse.

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